Relato de Parto: Danny e Laura


Escrever esse relato de parto foi quase parir novamente.

Tenho duas filhas, a mais velha, a Julinha, que hoje está com 11 anos e a Laurinha de 1 aninho.

Acho que o relato de parto da Laurinha começa no parto da Julinha. Não tive escolha no parto da Julinha. Eu queria muito um parto normal, fiz tudo que conhecia na época: yoga para gestantes, cursos de gestante, li livros, mas chegamos teoricamente em 42 semanas sem trabalho de parto e a indicação foi a cesárea. Fui para sala de parto chorando muito, não queria aquela cirurgia, não queria que minha filha nascesse daquela forma, queria parir!

Mas Julinha nasceu de cesárea, nos vimos por breves momentos e ela foi para os procedimentos. Me lembro que aqueles momentos pós-parto, em que me costuravam foi de um sentimento forte de solidão. Sozinha naquela sala gelada, sem sentir nada da cintura pra baixo e sendo costurada.

Quando fui para o quarto tive fortes reações com a anestesia: vômitos, tremedeira e muita dor. No corpo e na alma.

Dez anos depois engravidei da Laurinha. E lá estava eu com a mesma profissional e com o caminho traçado ao mesmo destino. Como Laurinha foi concebida num dia de vacilo de camisinha, eu sabia o dia que tinha engravidado. As contas dela não batiam com a minha. Ela contava duas semanas a mais e pensei: Não vou consegui entrar em trabalho de parto novamente se não mudar alguma coisa na minha vida.

Gestante, 34 anos, cesárea prévia e 33 semanas de gestação. Com muita coragem e muita leitura resolvi trocar de médico. E começou a minha corrida contra o tempo.

Comecei a pesquisar na internet e fui conhecer uma doula. Essa primeira experiência não foi boa. Essa doula era meio doida e me assustou. Pra ela era mais importante parir do que o desfeixo: positivo: bebê vivo. Contou histórias de mulheres que pariram bebês mortos e para uma gestante sem médico às 33 semanas foi meio assustador. Ele me deu a indicação de três médicos que faziam parto humanizado. Peguei os telefones e fui a luta. Descobri que: ou eles não aceitavam gestantes em idade tão avançada de gestação ou cobravam tão caro que eu teria que vender meu rim para fazer o parto como eu queria.

Continuei minhas pesquisas e descobri a Casa de Parto David Capistrano Filho. Li as informações no site. Vi relatos de pessoas e pensei: Pode estar aí a minha salvação!!!!

Fui eu visitar! Um sonho aquele lugar! Salas de parto humanizadas com banheira e quartos que pareciam a minha casa. Mas não poderiam me aceitar: eu tinha uma cessaria prévia e mais de 30 semanas de gestação. Não atendia os pre requisitos da casa de parto.

Conversei com a enfermeira chefe que me deu algumas opções: poderia fazer o parto em casa com a equipe dela, poderia ver uma doula, poderia esperar entrar em trabalho de parto e procurar uma maternidade pública com a indicação da Maria Amélia.

A ideia de parir em casa me pareceu maravilhosa. Mas não foi aceita pelo pai da Laurinha. Além disso o valor também ficava acima do que podíamos pagar.

Por fim entrei em alguns grupos no Facebook e conheci um anjo, uma doula que marcou um encontro comigo no Centro do Rio para uma conversa. O pai da Laura que tinha ido conversar com a primeira doula comigo ficou super relutante mas por fim foi no encontro. Eu amei a Vitória desde o primeiro momento. Ela conversou muito comigo sobre parto, sobre as verdadeiras indicações de cesárea, sobre coragem, empoderamento e me deu o contato da Dr. Luciana.

Confesso que fui “armada” na primeira consulta. Levei anotações, plano de parto, tudo que tinha lido e relido na internet tantas e tantas vezes. Levei também meus exames e minhas Ultras. A Dra Lu foi simplesmente maravilhosa, me senti tão respeitada, ela me ouviu: minhas dúvidas, opiniões, medos. Nada era considerado bobagem. Me senti dona do meu corpo, da minha gestação, do meu parto, da minha vida.

Como a gestação já estava avançada as consultas foram semanais. E era maravilhoso estar toda semana com a Dra Lu! Fizemos a consulta homeopática que foi simplesmente maravilhosa.

As semanas foram passando e eu cada dia mais apreensiva. Medo de não entrar em trabalho de parto novamente, medo de precisar de uma cessaria, medos e mais medos. Estava com 39 semanas e zero de dilatação. De novo.

Dia 22/09/2015 as contrações de treinamento intensificaram e ficaram dolorosas. Passei a madrugada sentindo dor e contando tempo e duração das contrações. Pela manhã já eram de 5 em 5 minutos e bem dolorosas. Liguei pra Vitória e pra Dra Lu. Vitória chegou na minha casa e ficou comigo. Contando as contrações, me ajudando a relaxar e decidir a hora de ir ao hospital. Confesso que se pudesse não teria ido. Teria ficado em casa.

Eu me conhecia, conhecia o pai da Laura. Se fosse um alarme falso? Ele ficaria nervoso, eu tb. Teria tirado doula e medica de casa atoa. E comecei a me pressionar. Precisava parir, precisava parir.

A tensão era tanta que já no carro o trabalho de parto regrediu. Senti muito muito medo naquele momento. Orei muito a Deus.

Chegamos no hospital dia 23/09 pela manhã. Dra Lu me examinou e realmente eu estava em trabalho de parto ativo. Demos entrada no hospital e fomos para o quarto. Nesse momento o medo só aumentou. E se eu não conseguisse? Se não tivesse na hora? Se ela precisasse de mais tempo?

As contrações espaçaram. Mais medo. Ouvi do pai da Laura que agora que ele tinha faltado o trabalho e já estávamos no hospital ela tinha que nascer. Fiquei com isso na cabeça. Ela tem que nascer. Eu não quero cesárea. Muita bola de pilates, muito banho de chuveiro, muita oração. A Vitoria e a Dra Lu foram simplesmente maravilhosas! Passaram o dia 23 todo no hospital comigo. Vitória chegou a me tirar do hospital pra tentar me relaxar. Conversou muito comigo. Andamos pelo quarteirão. Foi o que eu precisava e o trabalho de parto voltou progredir. Naquela noite entre bola de pilates, agachamentos e chuveiro minha bolsa estourou! Agora era de verdade Laurinha iria nascer em breve. Não tinha mais volta.

No dia seguinte era 24/09! Dia do aniversário da Dra Lu! E mesmo assim minha medica passou o dia comigo no hospital! Dra Lu e Vitória. Mais de 24h de trabalho de parto, bolsa rompida e minha dilatação não saia do 1,5. O tempo de bolsa rota passando e a decisão foi tentar a ocitocina para ver se o trabalho de parto emplacava.

A dor aumentou de uma forma inimaginável. E eu comecei a sangrar.

Sangramento e 24h de bolsa rompida. E aconteceu o que eu mais temia. Laura não ia nascer de parto normal. A tristeza me invadiu, mas o medo de um desfecho ruim, dela entrar em sofrimento foi muito maior.

Naquele momento que eu sabia que não conseguiria parir a dor do trabalho de parto se multiplicou por mil. Parece que perdeu o sentido sentir aquela dor toda. Eu não ia conseguir fazer ela nascer. Precisaria de uma cesárea. Então não queira mais sentir aquela dor.

A dor e a frustração faz a gente fazer coisas ruins. Briguei com a enfermeira pq parecia impossível pra mim ficar deitada naquela maca para ir ao centro cirúrgico. Briguei com o anestesista, não queria a cesárea. Mas todos foram super compreensivos e gentis comigo. A equipe da Dra Lu merece nota 1 milhão por me aturar, rs!

E as 20:24 do dia 24/09/2015, Laura nasceu de cesárea. Mas uma cesárea humanizada, meia luz, sem barulho. Eu tinha muito medo que pelo tempo de TP e de bolsa rompida ela nascesse em sofrimento e talvez não pudesse vir direto pro meu colo. Mas ela escolheu vir. Nasceu berrando a plenos pulmões e se debatendo da mão da Dra Lu que pôs ela no meu colo. E ficamos lá um tempo namorando uma a outra. Foi magico, foi incrível!

O Dr Arnaldo pegou ela por uns minutos para pesar e medir. Nenhum procedimento desnecessário foi feito! Me senti segura ali com a equipe da Dra Lu.

A Vitória não saiu do meu lado durante toda a sutura. Não me senti sozinha, Não fiquei sozinha!

Dessa vez não teve reação a anestesia. Não teve dor surreal. Minha recuperação foi ótima. Saí do hospital andando com minha filha nos braços.

Amamentei muito. Beijei muito. Abraçei muito. Amei muito aquela pequenininha guerreira.

Não tive meu parto normal, mas pari. Renasci. Como mulher, como mãe, como pessoa. Não foi fácil. Ninguém disse que seria. Mas cada minuto valeu a pena!

Danielle Carvalho

Mulher Viva, mãe de duas

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