Relato de parto: Gisele e Joana

October 27, 2016

Me chamo Gisele Oliveira, tenho 33 anos e para falar sobre meu parto, preciso falar sobre minha gravidez. 

 

Foi um ano na tentativa de engravidar e a cada mês, uma pequena frustração, mas tendo a certeza de que aconteceria na hora certa. E foi. Justamente no dia em que completei 33 anos, 14 de novembro de 2015, lá estava minha sementinha, embora eu não fizesse ideia.

 

Meu desejo sempre, mesmo antes de engravidar, era ter um parto humanizado, na água,  quem sabe em casa,  sem a frieza do processo tradicional.

 

Quando em 29 de dezembro, descobri a gravidez, após toda euforia, medo e expectativa, após contar pro papai e fazer a revelação pro mundo no réveillon, o pensamento era: preciso achar um médico que faça parto normal. E começou a saga.

 

Pesquisei por alguns médicos, entrei em grupos do Facebook para ter informações e fui vendo que não seria tão fácil quanto eu imaginava (pensei que todo médico fosse a favor do parto normal...tadinha de mim). 

 

Fiz a primeira consulta com uma médica do plano de saúde que de cara já me disse o valor que custaria o parto e que só faria Cesária, me mandando procurar outro médico caso eu não tivesse condições ou vontade de fazer com ela e pelo valor dito. Sai de lá arrasada.

 

A segunda tentativa foi pior que a primeira. A médica disse que só fazia Cesária, que eu engordaria pelo menos 20 quilos e jamais poderia ter um parto normal por conta disso. Orientou que eu parasse de treinar musculação (nesse momento tive vontade de sair correndo, pois sou profissional de educação fisica, treino há 15 anos e sei dos benefícios da atividade física na gestação).

Mais uma vez, sem esperança.

 

A última tentativa foi na casa de parto de Realengo: recusada por fazer uso de ansiolítico, por mais que já tivesse parado.

 

Triste, voltando pra casa, me lembrei de uma amiga de rede social que havia me dado o contato de uma doutora chamada Luciana Lopes, que era obstetra humanizada. Liguei no caminho mesmo, fui atendida pela própria (algo bem incomum) e marquei uma consulta para os próximos dias. No dia da consulta, aquela apreensão de ser desencorajada do meu desejo e a surpresa: amor à primeira consulta. 

 

A partir dai todo mês estava lá. Continuei treinando, trabalhando nos meus dois empregos (personal trainer e cake designer) e a gravidez evoluía muito rapidamente e extremamente bem e saudável. Digo que foi a gestação mais rápida da história. Minha Joana se desenvolvia perfeita e rapidamente. E só engordei 7 quilos em 9 meses. Queria poder dizer isso pra aquela doutora. 

 

Nas conversas com a doutora Luciana, sempre dizia que não tinha medo da dor nem do processo do parto. Tinha medo da laceração, apenas.

 

Foi quando no dia 13 de agosto de 2016, exatamente no dia em que completava 39 semanas, acordei cedo, meu organismo malandro, sem me contar nada,  se preparava para o que estava por vir me fazendo ter uma dor de barriga misteriosa logo de manhã (rs) e fui fazer exames. Lá pelas 11 da manhã, já em casa, comecei a sentir uma cólica leve, nada demais, mas estranho pra quem não teve nem enjôo durante a gestação. A dorzinha ia e voltava e achei melhor comunicar à doutora. Resolvi arrumar a casa, preparar as coisas, colocar as últimas coisas na bolsa da maternidade...vai que era a hora?As horas voaram, a dor leve agora era um pouco mais forte e eu já não conseguia mais falar durante a dor que agora era acompanhada de contrações. Às 15h, fomos eu e meu marido para a casa da minha sogra (ainda conseguia dirigir até este momento), pois lá teria mais gente pra me levar pro hospital. Chegando lá as dores aumentaram mais e mais, embora no aplicativo de contração eu sempre marcasse a dor como média, pois achava que ainda ficaria pior.

 

Enfim, a doutora Luciana me mandou ir para o hospital. Chegamos lá por volta de 17h. Ela me examinou e pra minha surpresa, 8 cm de dilatação. Fiz o exame de cardiotocografia e tudo evoluindo bem. Fomos para a minha tão sonhada sala de parto com banheira (que tinha acabado de vagar pra mim. O Universo trabalhou perfeitamente nesse dia). 

 

Meu organismo, com toda sua inteligência mais uma vez, me fez limpá-lo, expelindo tudo que eu havia comido naquele dia. A dor mais forte, mas ainda classificava como média. Resolvi ir pra banheira quentinha e relaxar, ver o que seria.

 

Pouco tempo depois, ali dentro da água senti que minha bolsa rompeu e ai veio a tal dor forte lá do aplicativo do celular. Marido do lado apoiando, filmando, chorando, doutora Luciana sentada na minha frente sobre a banheira com os pés apoiados aos meus. Senti uma pressão muito forte no meu osso pélvico, pus a mão e pude sentir os cabelos da minha Joana. Meu marido contou, foram 5 forças. A última foi a decisiva. Disse pra mim mesma: é agora Gisele! Vamos lá! Ela vai sair agora! E assim aconteceu. Respirei fundo, segurei firme numa toalha que estava pendurada ao meu lado e empurrei com toda a força que eu sabia que tinha até que ela nasceu e toda a dor passou instantaneamente. Veio pros meus braços já de olhos abertos, me proporcionando um mix de sentimentos que ao assistir o vídeo hoje me vem novamente as lágrimas. Esperamos o cordão parar de pulsar, papai Bruno, que havia acabado de nascer também o cortou e minha pequena foi levada pelo doutor Arnaldo, o pediatra, com a minha permissão, pois queria sair logo da banheira e curtir aquele novo momento. Tudo aconteceu muito rápido: internei por volta das 18h e dei à luz às 20:24. Não utilizamos anestesia e não tivemos nenhuma intervenção. 

 

Ah, sabe o meu medo da laceração? Pois bem. Quando meu corpo me mandava empurrar, eu contraia minha musculatura internamente enquanto fazia força por medo que a laceração acontecesse e, devido a isso, foi justamente o que aconteceu. Foram 2h30 após o parto num intenso bate papo com a doutora Lu enquanto ela dava inúmeros pontos no meu períneo. Essa parte foi muito pior que o parto. Foi chato.

 

Não me arrependo em nenhum momento da minha escolha. Agradeço à doutora Luciana por me encorajar, por dizer que eu era capaz de parir, por respeitar minhas vontades e por deixar que eu fosse a protagonista do meu momento. Parir é lindo! A dor? Existe mas não mata. 

 

Agradeço ao meu marido que esteve ao meu lado todo o tempo, parindo comigo, me fazendo sentir segura e protegida. 

 

Agradeço ao Universo por ter me proporcionado uma gestação fantástica, um parto lindo, uma filha perfeita e saudável e por ter colocado a médica certa na minha vida.

 

Parir é lindo!

 

Gisele Oliveira

Mulher Viva

Personal Trainer e Cake Designer

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