O que é o parto humanizado?

April 19, 2017

 

Muitas mulheres me procuram para saber o que é e se podem ter um parto humanizado. Percebo, nessa busca, que ainda há muitos mitos envolvendo o assunto. Afinal, o que é o parto humanizado? Toda mulher pode ter um?

 

Sim, toda mulher pode ter um parto humanizado. Diferente do que se acredita, humanizar a assistência à gestação e nascimento não é simplesmente apagar as luzes, acender velas e não dar anestesia a uma mulher que está parindo. A humanização tampouco é uma via de parto, como parto normal e cesariana. Humanizar a assistência é mudar o foco, ampliar o paradigma, trazer a mulher para o protagonismo da sua gestação e parto e, em parceria com ela e sua família, com base em informações de qualidade, respeito pelos desejos dela, muito acolhimento e entrega, construir o parto desejado.

 

Nesse sentido, humanizar o parto é dar liberdade de escolhas à mulher, deixando-a livre para decidir o que prefere para si e seu bebê, dentro das opções possíveis para cada caso. A intervenção médica deve ser mínima e acontecer somente quando a mãe assim a desejar e concordar. Pressupõe-se que ela receba um atendimento de qualidade, pautado nas mais recentes evidências científicas e que tenha confiança na equipe que a acompanha, para garantir sua segurança e a do bebê.

 

Como a mulher tem o controle e o protagonismo garantidos, ela pode sim escolher parir com luzes apagadas, música, velas, banheira. Pode desejar uma doula para acompanhá-la, pode receber massagens, palavras de apoio e conforto. Mas também pode não querer nada disso: ao optar por analgesia de parto e/ou quaisquer outras intervenções, seu parto pode continuar sendo humanizado, desde que ela tenha sido muito bem informada sobre tais intervenções e conheça os riscos envolvidos.

 

O respeito pelo tempo dela e do bebê – e pela fisiologia do parto – são fundamentais na cena do parto humanizado. E isso não faz parte apenas de uma crença de que mulheres são capazes de parir: as evidências mais atuais corroboram com isso. As mulheres sabem parir e os bebês sabem nascer. Existem casos fora dessa curva que precisarão de intervenções, mas estes possuem justificativa clínica e, como falei acima, são abertamente discutidos com a gestante e sua família.

 

Em resumo, para um parto ser humanizado, é necessário que:

 

  • Exista protagonismo da mulher e respeito por suas decisões;

  • Exista respeito pelos mais diversos aspectos culturais, psicológicos, emocionais daquela mulher;

  • Exista respeito pelo tempo do bebê;

  • Exista um espaço de comunicação aberto entre equipe e família, que serão corresponsáveis por todas as decisões;

  • A gestante possa receber informações atuais e de qualidade sobre tudo o que acontece em sua gestação, parto e pós-parto;

  • Os desejos da mãe sejam atendidos dentro do possível: que ela escolha as posições que deseja ficar quando em trabalho de parto, que não sofra intervenções com as quais não concorda, que possa parir onde deseja, que possa comer e beber o que quiser durante o TP, que tenha o acompanhante de sua preferência;

  • A equipe não faça a mulher passar por procedimentos desnecessários como: raspagem de pelos, lavagem intestinal, manobra de kristeller (quando o profissional empurra a barriga da mãe para “ajudar o bebê a nascer”), sem constantes exames de toque, sem episiotomia.

  • Respeito ao bebê que acabou de nascer: que possa ficar no colo da mãe em contato pele a pele caso nasça saudável, que não tenha suas vias aspiradas, que possa ser amamentado precocemente, que tenha seu momento de vínculo com a mãe respeitado.

Portanto, o parto humanizado é nada mais do que respeitar a mulher e devolver a ela a confiança e a autonomia nos próprios processos.

 

 

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